SOMOS UMA REDE DE + DE 14 MIL PRODUTORES

Agrônomo deixa multinacional e transforma fazenda da família com produção de Queijo Canastra agroecológico

Com 44% da área preservada, fazenda familiar investe em produção artesanal, economia circular

Na Serra da Canastra, em Minas Gerais, um projeto de pequena escala vem chamando a atenção pela combinação entre produção artesanal, práticas regenerativas e conservação ambiental. Em Piumhi, o produtor rural e engenheiro agrônomo Vinícius Ferreira Soares é o idealizador e cofundador da Faz O Bem Queijaria e produtor de Queijo Canastra agroecológico. 

Formado em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa e com especialização em Gestão Comercial pelo IFSULDEMINAS, Vinícius decidiu mudar de rumo após anos atuando em uma multinacional do setor alimentício. A propriedade tem 25 hectares, dos quais 44% são de mata nativa preservada. Foi nesse local que Vinícius apostou em um produto de alto valor agregado. A escolha pelo leite e, posteriormente, pela fabricação do queijo Canastra agroecológico surgiu tanto da viabilidade econômica quanto de uma decisão alinhada ao propósito ambiental da família.

Desde 2019, a produção é artesanal e em pequena escala, com média de cerca de 10 quilos de queijo por dia, totalizando aproximadamente 300 quilos mensais. O processo segue práticas como conversão das áreas, controle biológico de pragas, sem uso de defensivos no pasto. Ele também faz uso de resíduos que antes iam para o lixo, como o soro do queijo, utilizando o líquido para alimentar porcos da raça Piau, que são criados soltos.

Os efeitos do modelo produtivo atingem toda propriedade. A adoção de práticas regenerativas resultou no aumento da biodiversidade na propriedade, com o retorno de espécies como tamanduá-bandeira, lobo-guará e aves de maior porte, como curicacas e papagaios. O bem-estar animal também melhorou, com maior conforto térmico proporcionado pela presença de árvores e arbustos nas áreas de pastejo.

No solo, houve aumento da matéria orgânica e da capacidade de retenção de água. Uma nascente que antes secava durante o período de estiagem passou a se manter ativa ao longo do ano, contribuindo para o ribeirão Araras e, alguns quilômetros adiante, para a bacia do rio São Francisco.

A diversidade de plantas, microrganismos e pastagens também se reflete no produto final. Segundo o produtor, a complexidade biológica do sistema influencia o sabor e o aroma do queijo, agregando características próprias ao Canastra agroecológico.

Para Vinícius, o objetivo nunca foi ser um caso isolado. A experiência busca mostrar que é possível gerar renda, conservar recursos naturais e produzir alimentos de qualidade com alto valor agregado por meio de sistemas regenerativos, mesmo em propriedades pequenas, reforçando um caminho alternativo para a agricultura familiar e artesanal na região da Canastra.

Foto: arquivo pessoal