Em Registro (SP), projeto busca provar que sistemas agroflorestais em larga escala podem competir com o modelo convencional

Quando se mudou de São Paulo para uma fazenda em Registro, no Vale do Ribeira, em 2016, Eduardo Valdetaro assumiu a gestão de um bananal convencional já em operação. O contato direto com o uso de defensivos no cultivo foi o ponto de partida para uma mudança de rumo. Após dois anos buscando alternativas e realizando testes para reduzir os insumos químicos, encontrou na agrofloresta sintrópica o modelo que daria origem à Sana Floresta.

O projeto nasceu com uma proposta ambiciosa: demonstrar que sistemas agroflorestais em larga escala podem ser produtivos, eficientes e economicamente competitivos frente às monoculturas de banana predominantes na região. Hoje, o cultivo combina banana-maçã princesa, juçara, cacau e cupuaçu com outras espécies frutíferas e madeireiras, formando um sistema diversificado que busca unir regeneração ambiental e viabilidade econômica.

Ao longo dos últimos seis anos, a área cultivada cresceu de 9 para 20 hectares. Segundo Eduardo, a própria dinâmica produtiva da agrofloresta impulsionou essa expansão. A banana, que ocupa o primeiro estágio do sistema, gera retorno financeiro mais rápido e ajuda a financiar novas áreas plantadas, enquanto espécies de crescimento mais lento se desenvolvem sob a sombra das bananeiras até assumirem protagonismo nas próximas etapas da sucessão.

Além da diversificação, o modelo da Sana Floresta aposta em eficiência produtiva. O manejo utiliza matéria orgânica proveniente das podas, esterco compostado e variedades mais resistentes a pragas, buscando reduzir custos e evitar que os produtos agroflorestais se tornem restritos a nichos de mercado.

Há cerca de um ano, a produção também passou a ser comercializada diretamente ao consumidor na feira do Varejão da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP). Para Eduardo, controlar as etapas de produção e venda ajuda a aproximar consumidores da lógica por trás dos alimentos produzidos em sistemas regenerativos. A proposta é democratizar o acesso aos orgânicos, oferecendo frutas sem produtos químicos a preços equivalentes aos dos produtos convencionais, sem restringir esse consumo a nichos de mercado.

Apesar dos desafios técnicos, comerciais e operacionais envolvidos na implantação de uma agrofloresta orgânica, ele acredita que os benefícios compensam: melhora da qualidade do solo, diversificação produtiva, geração de habitat para a fauna, eliminação do uso de produtos químicos e produção de alimentos saudáveis.

Foto: Eduardo Valdetaro
Foto: Eduardo Valdetaro

Foto de capa: Marcio Santos