Produtor de cana em SP eleva produtividade em 45% após adotar agricultura regenerativa

A agricultura regenerativa ainda encontra resistência quando o assunto é produção de commodities em larga escala, mas experiências no campo começam a mostrar que o modelo pode ser viável também para sistemas intensivos. Em Matão, no interior de São Paulo, o produtor de cana-de-açúcar Giuliano Beggio registra ganhos expressivos de produtividade após iniciar a transição para práticas regenerativas. Em uma propriedade de cerca de 400 hectares, sendo aproximadamente 270 hectares cultivados com cana em meio a áreas de mata nativa, Beggio começou a mudança em 2022. Naquele ano, a produtividade média era de 86 toneladas por hectare. Três anos depois, a produção chegou a 125 toneladas por hectare, um aumento de cerca de 45%. Além do volume colhido, os indicadores de qualidade também avançaram. A lavoura alcançou ATR de 141 e um dos maiores índices de produtividade de açúcar por hectare do estado de São Paulo, com 17,69 toneladas, segundo dados da própria propriedade. Os resultados chamam atenção em um contexto marcado por eventos climáticos mais frequentes e pela pressão sobre os custos de produção. Segundo o produtor, a adoção de práticas como o controle biológico de pragas e a redução do uso de insumos químicos contribuiu para maior estabilidade do sistema produtivo, além de ganhos econômicos. Outro ponto destacado é o uso de energia 100% fotovoltaica nas operações, além do reconhecimento do projeto por meio de certificações ambientais e prêmios de sustentabilidade no Brasil e no exterior. Entre as técnicas adotadas, a propriedade investe na integração da produção agrícola com a biodiversidade local. Na área, a cana convive com áreas preservadas de vegetação nativa, criação de abelhas e produção de mel. Ao longo dos últimos anos, cerca de 160 mil árvores foram plantadas na fazenda. Para Beggio, a adoção da agricultura regenerativa tem contribuído para maior estabilidade produtiva diante de eventos climáticos extremos, um fator cada vez mais relevante para a canavicultura em regiões sujeitas a períodos de seca e variações de temperatura.