Produção de óleos essenciais já responde por 70% do faturamento e reposiciona a propriedade como referência em regeneração no Sul do país
A Fazenda Jaracatiá, localizada em Querência do Norte, no noroeste do Paraná, tem se consolidado como um dos exemplos de agricultura regenerativa no país. A propriedade, que integra a Frente Empresarial para a Regeneração da Agricultura (FERA), produz plantas aromáticas e medicinais e foi a vencedora do Prêmio Fazenda Sustentável 2024, na categoria Grande Propriedade.
Com área total de 1.327 hectares, a fazenda é administrada por Flávia Strenger Garcia Cid e sua família e combina produção agrícola, conservação ambiental e agregação de valor no campo. Um dos destaques é a preservação de 314 hectares de mata nativa, hoje reconhecida oficialmente como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Jaracatiá. A área deverá receber, nos próximos anos, projetos de turismo ecológico e educação ambiental.
A diversificação produtiva começou há pouco mais de uma década, quando a família decidiu buscar alternativas à pecuária tradicional em uma região marcada por altas temperaturas e solos arenosos. A resposta veio com o cultivo de plantas aromáticas e medicinais, inicialmente a citronela e, depois, espécies como capim-limão, melaleuca, palma-rosa, erva-baleeira e passiflora.
A produção é processada na própria fazenda, onde foram implantadas unidades industriais para extração de óleos essenciais, hidrolatos e folhas secas, gerando emprego e agregando valor à matéria-prima. Em média, cada mil quilos de folhas resultam em até 20 quilos de óleo essencial, destinado a mercados como aromaterapia, indústria farmacêutica e farmoquímica. Atualmente, aproximadamente 70% da receita da propriedade vem dessa atividade, que segue padrões de certificação orgânica.
O sistema produtivo busca fechar ciclos. Resíduos vegetais da indústria são reaproveitados para uma indústria de bioinsumos e toda produção trabalha com economia circular e desperdício zero. A irrigação das lavouras é feita com pivôs centrais acionados à noite, reduzindo o consumo de energia e o uso de água. A fazenda também desenvolve uma linha de biofertilizantes naturais e um biodigestor para transformar resíduos industriais em gás.
O reconhecimento nacional reforça, segundo a família, que a agricultura regenerativa pode ser uma estratégia economicamente viável, aliando conservação ambiental, diversificação produtiva e resiliência diante das mudanças climáticas.


Fotos: Kellen Santos