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Pecuária regenerativa ganha força no Brasil e vira estratégia para acessar mercados mais exigentes

Na contramão das críticas ao desmatamento, modelo adotado pela Beef Passion integra manejo rotacionado, captura de carbono e rastreabilidade para ampliar produtividade e competitividade internacional.

A pecuária brasileira ocupa posição estratégica na economia e no debate ambiental. O Brasil detém o maior rebanho comercial do mundo e é um dos principais exportadores de carne bovina, mas também está no centro das críticas quando o assunto é desmatamento, especialmente na Amazônia. Levantamentos ambientais mostram que a abertura de pastagens responde pela maior parte do desmatamento na região nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, mercados internacionais, especialmente europeus, apertam as regras e exigem rastreabilidade e comprovação de origem livre de desmatamento. 

Nesse contexto, investir em pecuária regenerativa é uma decisão estratégica para o produtor. E os exemplos de quem já pratica o modelo produtivo mostram que as vantagens não se limitam à preservação do meio ambiente, mas são sobretudo econômicas.

A Beef Passion, liderada por Amália Sechis, está na vanguarda da mudança produtiva. A empresária apostou na construção de um modelo que integra produção de carne, conservação ambiental e gestão certificada, defendendo que a pecuária pode ser parte da solução ambiental e se beneficiar amplamente da adoção de práticas sustentáveis. “Nascemos do desejo de criar um conceito mais consciente, livre de tendências e fiel ao nosso propósito, buscando inspirar mudanças na cultura e na forma como as pessoas se relacionam com o alimento. A pecuária regenerativa sempre esteve em nosso DNA, acreditando na melhor equação entre homem, boi e meio ambiente.”

A mudança não ficou no discurso. A operação, que fica na Fazenda Recanto Vó Cidinha, em Nhandeara (SP), no Oeste Paulista, passou a adotar sistemas de gestão integrada com certificações em qualidade, meio ambiente, saúde e segurança do trabalho em todo o processo produtivo. O modelo também incorporou práticas de biodinâmica, agricultura consorciada e monitoramento de fauna, flora e qualidade do solo.

O manejo rotacionado de pastagens é um dos pilares do sistema e influencia no aumento do ganho de peso dos animais. “Além disso, o sistema de manejo de solo rotacionado proporciona maior captação de carbono e preservação do solo, visando a sustentabilidade e o aumento da produtividade tanto na agricultura quanto na pecuária”, afirma Amalia.

Segundo ela, a alternância planejada de áreas e culturas fortalece a resiliência do sistema produtivo e o capim bem manejado capta até duas vezes mais carbono do que em sistemas convencionais degradados. A preservação de árvores nativas também faz parte da estratégia. “Com a preservação estimulamos a biodiversidade do ecossistema e o bem-estar animal através do sombreamento.”

Em um mercado cada vez mais atento à origem da carne, a rastreabilidade tornou-se um diferencial amplamente competitivo. Protocolos claros, controle de cadeia e transparência são essenciais para acessar compradores internacionais mais exigentes, e, na prática, funcionam como trunfo comercial para quem já opera dentro de padrões regenerativos.

Para a empresária, adotar métodos regenerativos não é algo que deva ser opcional a longo prazo, mas um imperativo para o futuro da produção de carne no Brasil. “Acredito que a integralidade e a sustentabilidade na cadeia produtiva são o futuro da pecuária. O cenário global vive uma profunda transformação, impulsionada por uma crescente conscientização sobre os impactos ambientais, sociais e de saúde das nossas escolhas alimentares.” Daí, quem começar hoje, com compromisso e seriedade, sai na frente. 

Foto: arquivo pessoal