Associação reúne agricultores familiares, amplia o acesso à certificação orgânica e aposta em sistemas regenerativos para unir conservação ambiental, produção e geração de renda
A produção agroecológica no Sertão Central do Ceará tem ganhado força a partir do trabalho desenvolvido pela Associação Participativa Agroecologia (ACEPA), um Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC). Fundada em 2012 e credenciada junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) desde 2014, a associação atua na certificação participativa da produção orgânica de agricultores familiares, fortalecendo modelos produtivos voltados à regeneração ambiental, à valorização do território e à ampliação do acesso a mercados.
Com sede no Assentamento Conquista da Liberdade, Maraquetá, em Quixeramobim, a ACEPA reúne dezenas de agricultores e agricultoras certificados, organizados em núcleos municipais no Sertão Central cearense e no Vale do Jaguaribe. A associação surgiu com o objetivo de tornar a certificação orgânica mais acessível para famílias agricultoras e abrir novas oportunidades de comercialização, especialmente para o algodão agroecológico.
A retomada do cultivo do algodão em sistemas agroecológicos foi uma das principais apostas das famílias ligadas à associação. O cultivo é realizado em consórcio com outras culturas, sempre adaptado à realidade e ao potencial produtivo de cada propriedade. Entre as práticas adotadas estão o plantio em faixas e em curvas de nível, estratégia que ajuda a evitar erosão e preservar a qualidade do solo.
O trabalho é conduzido principalmente por agricultores familiares e famílias assentadas da reforma agrária, que desenvolvem sistemas produtivos sem o uso de produtos químicos para controle de pragas. Em vez disso, o manejo busca fortalecer o equilíbrio ecológico das áreas cultivadas. Os restos culturais, por exemplo, não são queimados, mas reaproveitados como matéria orgânica, contribuindo para melhorar a fertilidade do solo e aumentar a qualidade e a quantidade da produção.
Segundo Francisco José de Sousa Pinheiro, integrante da coordenação geral do OPAC, esse modelo também ajuda a reduzir naturalmente a presença de pragas indesejáveis. “O próprio ecossistema se encarrega de fazer esse controle natural”, explica.
Além do trabalho de certificação, a ACEPA também atua na assistência técnica às famílias agricultoras, no apoio à regularização da produção orgânica e no fortalecimento da comercialização dos produtos. A associação ainda incentiva iniciativas ligadas à economia solidária, ao manejo sustentável do meio ambiente e à promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no campo.
Para os produtores, a regeneração também representa uma estratégia de fortalecimento econômico. O modelo agroecológico vem contribuindo para ampliar o acesso a mercados mais justos e valorizar os produtos cultivados pelas famílias agricultoras.
A experiência da ACEPA mostra como sistemas agroecológicos e regenerativos podem integrar conservação ambiental, fortalecimento comunitário e geração de renda no semiárido cearense. “Vale muito a pena investir nesse sistema, pois é possível alinhar retornos financeiros com ganhos ambientais”, resume Francisco José de Sousa Pinheiro.


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