Projetos desenvolvidos desde 2011 combinam espécies nativas, recuperação ecológica e produção de alimentos e madeiras

Na Courageous Land, a produção regenerativa não surgiu como uma tendência recente, mas como princípio fundador. Desde 2011, os projetos agroflorestais desenvolvidos pela organização foram estruturados a partir da ideia de produzir alimentos e madeiras de forma integrada aos processos naturais, à regeneração ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas, independentemente da região ou das espécies cultivadas.

O trabalho é baseado em agroflorestas sucessionais, modelo que combina diferentes espécies ao longo do tempo e incorpora árvores nativas regionais à dinâmica produtiva. Segundo Gilberto Terra, head de agroflorestas da Courageous Land, essa lógica permite que a produção vá além do aspecto econômico e gere impactos positivos sobre o solo, a água, a biodiversidade e a paisagem.

Além do uso prioritário de insumos orgânicos e do manejo voltado à conservação ambiental, os sistemas implantados pela Courageous Land contribuem para a preservação de espécies ameaçadas de extinção, como a juçara (Euterpe edulis), o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra) e o jequitibá-rosa (Cariniana legalis). Os projetos também favorecem o aumento da cobertura arbórea, a circulação de animais nativos e os processos naturais de regeneração das áreas onde atuam. A organização também desenvolve tecnologias para o planejamento e a gestão de agroflorestas, contribuindo para ampliar a eficiência e a viabilidade desses modelos.

Os impactos percebidos no manejo e na produtividade já aparecem de forma concreta. Entre os principais resultados observados estão a redução de custos com insumos agrícolas, a menor incidência de problemas fitossanitários e o fortalecimento da capacidade dos sistemas produtivos de enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

Apesar dos benefícios, Gilberto Terra destaca que a agricultura regenerativa exige planejamento técnico e estratégia comercial. Segundo ele, o caráter “regenerativo” de um produto, com ou sem certificação, não garante sozinho a viabilidade econômica do negócio, especialmente em sistemas de policultivo agroflorestal, que demandam maior capacidade de gestão e comercialização.

Para produtores que desejam iniciar a transição, a recomendação é começar de forma gradual. “A transição mediada pelo aprendizado é muito menos arriscada do que uma mudança abrupta”, afirma. O conselho é iniciar a prática em pequenas áreas e priorizar, inicialmente, a produção voltada ao consumo da própria família ou da equipe da fazenda, permitindo que o processo aconteça com mais segurança e adaptação ao longo do tempo.

 

Fotos: Courageous Land